Exposições

O Som do Orvalho: encáustica e desenho

A Galeria Fernando Santos apresenta uma nova série de trabalhos em encáustica de Avelino Sá que, com a mesma, nos conduz para um mundo muito particular, ao qual tem vindo a dedicar os últimos anos da sua investigação em torno da poética oriental.

Nesta exposição é apresentado um conjunto de trabalhos (encáusticas e desenhos) que se movem nos limites de uma linguagem capaz de transcender o sentido de “isto” e “aquilo” e onde são sugeridas imagens poéticas com as quais, procura dizer o indizível, ou seja, dá-nos através da imagem (não-imagem), o que por natureza a linguagem parece incapaz de dizer.

Tendo como base do seu trabalho, a cultura japonesa, e apoiando-se na experiência poética do indizível, o artista procura comunicar por (contra-imagens) imagens que não se explicam, mas que nos convidam a recriá-las; convertendo-nos, assim, também em imagens ou espaços onde os contrários se fundem.

 

Avelino Sá

Porto, 10 de fevereiro de 2017

 

 

deslocações no tempo metereologia da intemporalidade
ventos que sopram em direções convulsas, centros deslocados.
deslocações centradas a pintura como medição do tempo
metereologia metafisica o que vemos para cá da penumbra
para lá sonhamos na erva branca deitados, a caminhar
rasgados na montanha a montanha está a montanha é
perdidos na sua confluência tempo obscuro claridade metereológica
metereologia metafisica outra vez a penumbra
parados, orientamo-nos em nosso redor mil anos atravessam
o vento silvos da montanha sugestão de oriente orientação
um vermelho, agora corte, incisão, inscrição sem olhar
para trás na montanha dois corpos desequilibrados
um horizonte vermelho o chão vermelho, o horizonte
como vertigem traços no mapa indeciso sem ocidente
tentamos o céu estrelas feitas vocabulário sentido
oriente sentido insuperável, hermenéutica do vazio
do vazio primordial e aí, a montanha enorme
branca poeta intuída na experiência do que já foi
a noite, sempre o sonho, às vezes na pele da penumbra,
no fosso da claridade e essa linha branca esquecida,
vivida, consumida no centro da deslocação de sentido
no sentido corpos alinhados densos como madeira
a flutuar ao sabor de uma não-cor imersos no dia
anterior a oriente, com o orvalho derretido num inverno
sem sofreguidão, paciente, ancião a luz, portanto camadas
de cheiros ausentes imanência da ilusão deitados,
respiramos a falsidade de pé, a falsidade respira-nos
vermelho exangue porque a vida assim o quis falsos nomes
nós a ilusão é a experiência doutro corpo corpo
desejado esperado, invejado, sacrificiado no olhar
da incompreensão esse corpo mentira metafísica, pintura

miguel von hafe pérez, dez.12

 
 
 

2015 GALERIA FERNANDO SANTOS

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