Exposições

rui sanches - museum 2

(...) Maria Filomena Molder: Parece-me ver confirmada nestas esculturas uma oscilação (e não hesitação) entre tomar a escultura (e o desenho) como um objecto em si e como uma coisa que pede, aponta para outra, que tem origem noutra, um objecto que transcende a sua categoria de objecto. Será assim?
Rui Sanches: São objectos activos, performantes, que vivem das relações que estabelecem. Relações com outras obras, explícitas ou não, com o espaço e, mais importante, com os espectadores. Talvez a escultura (e o desenho) se aproxime da condição da música e só tenha existência plena em função de uma "interpretação" particular, que acontece num determinado local e num determinado momento (em cada espectador).

Desde 2000 que se observa nas esculturas de Rui Sanches a amplificação do elemento intuitivo e uma incorporação crescente do acaso, inseparável do processo de construção, das técnicas utilizadas: a “acumulação de estratos” permite assistir ao crescimento da forma camada por camada – o que tem qualquer coisa de pictórico, mancha sobre mancha –, dando, por sua vez, origem não só a uma acumulação de imagens, de sinais a decifrar, palimpsestos, mas também a uma intensificação e diferenciação da energia (a que os desenhos intervalares devem ter dado vazão).(...)

Maria Filomena Molder in Museum 2
Catálogo da exposição Museum 2 – Galeria Fernando Santos – Porto 2008

(...) Este criador português apresenta uma fascinante tridimensionalidade total. Com uma vocação teatral, ou melhor, cenográfica, Rui Sanches perverte os procedimentos habituais da museografia. O próprio artista assinala que o que lhe interessa é fazer investigação em torno às “linguagens artísticas da tradição Ocidental, em si mesmas e na sua relação com outras culturas, e às linguagens da arte contemporânea.
Entre os antagonismos que caracterizam a nossa época, talvez corresponda um lugar chave ao antagonismo entre a abstracção, que é cada vez mais determinante nas nossas vidas, e a inundação de imagens pseudo-concretas.(...)
(...)Insisto em sublinhar que Rui Sanches vai além dessa dicção normativa, tomando referências formais tanto da estética neoclássica como do construtivismo. Evidentemente, há nas suas peças uma tensão estruturadora que se acentua na intervenção no Museu de Arte Antiga, onde se desdobra um potente e, ao mesmo tempo, subtil trabalho de ligação entre as peças clássicas e as suas esculturas. Os painéis e as estruturas metálicas geram uma arquitectura efémera que produz, finalmente, um “ar de família” entre tudo o que está exposto.
O trabalho museológico de Rui Sanches acentua a importância das “delimitações” e, deste modo, revela que a arte está agarrada, inevitavelmente, aos ornamentos, essa margem estranha contra a que reage o discurso filosófico.(...)

Fernando Castro Flórez in “Para (não) perder a cabeça”
Catálogo da exposição Museum 2 – Galeria Fernando Santos – Porto 2008

“(...)Na concepção deste projecto é mais evidente uma tensão entre corpo e forma. O corpo é mais corpo e a forma é mais forma.
Assim como estão mais diferenciadas as formas consistentes e geométricas, e as sugestões antropomórficas das placas ondulantes e modelares. Cresce a tensão entre o corpo orgânico e a matéria.
Há mais impacto, menos fusão; mais corte, menos derrame. As esculturas de Rui Sanches sustentam-se agora em linhas mais firmes e arestas mais definidas.
Há uma afirmação de equilíbrio entre o geométrico e o informal. Na conquista do espaço entre as coisas(...)”

Helena de Freitas in Museum
Catálogo da exposição Museum , Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa 2008

 
 
 

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