Exposições

jorge martins

Inaugurada a 1 de Março e patente até ao dia 16 de Abril, a Galeria Fernando Santos, apresenta uma exposição do Pintor Jorge Martins.

Trata-se de uma série de pinturas sobre tela de 1999 e 2000, que integraram a Exposição Antológica do Artista “Simulacros/Uma Antologia”” no CCB em 2006, comissariada por Margarida Veiga e apoiada por um extenso estudo de Raquel Henriques da Silva, que confrontou a pintura e o desenho desenvolvidos ao longo dos últimos quarenta anos, estabelecendo pontos de cruzamento teóricos e temáticos, revelando um corpus extremamente coerente e inovador.

“Rabiscar, pintar, desenhar foi sempre o modo de me virar para dentro, de reunir no mesmo espaço todo esse vaivém de contradições com que uma metade do meu espírito se diverte para fazer passar o tempo, enquanto que a outra se limita às duas dimensões da pintura para fazer passar o espaço”.

Entrevista ao Diário de Notícias, 1979.

«Não pretendo captar os aspectos mais imediatos duma realidade aparente, como não me interessa uma pintura de desenvolvimento exclusivamente formal, procuro expressar elementos essenciais dum mundo envolvente (luz, cor, matéria, espaço...) através do que julgo serem os elementos plásticos correspondentes, despidos assim da alusão naturalista e desinteressados do descritivo, para a partir daí construir a estrutura do quadro e criar a lógica da sua organização.»

Entrevista in Jornal de Notícias, 27 de Abril de 1965

«O que me interessa é justamente dar uma imagem das relações pessoas-objectos. E estou convencido que é uma das outras funções da pintura: colocar o homem na natureza digamos. Dar uma imagem plástica da situação do homem em relação aos objectos que o envolvem.»  

Entrevista in jornal A Capital, 22 de Novembro de 1970

O último artista que me marcou violentamente foi, sem dúvida, Paul Klee.
Depois de 1961, com a minha vinda para Paris, as influências e as admirações multiplicaram-se e, se não se anularam atenuaram-se: já não se pode falar de influências mas de digestão de elementos díspares e adesão intelectual ao que em cada artista converge para a minha procura: em Vermeer, a maneira exemplar e única como soube aliar e resolver no mesmo espaço problemas de cor e luz; em Piero, Mondrian e Malevitch, o rigor na construção do espaço; em Bosch e Oldenburg a fantasia; em Gnoli, a monumentalidade e a beleza da matéria; em Duchamp, a ironia e a fúria iconoclasta e em Newman, Marden e numa certa pintura americana a simplicidade ou o que Mallarmé chamava “um état de rarefaction américain vers la beauté»

Entrevista in Jornal Novo, 7 de Junho de 1978

«Nunca descobri Eros nem Édipo nem Tanatos, por detrás dum círculo ou dum rectângulo: para mim, a criação pictural é um pouco da ordem das matemáticas e bem pobre é o artista que se contenta com associações de ideias de ordem literária ou psicanalítica para organizar o seu espaço.
Se utilizo uma linguagem plástica em vez de outra é porque sinto mais prazer e eficácia a raciocinar em termos de espaço-luz que em termos de frases e palavras. Não fazendo parte do meu projecto qualquer espécie de intercâmbio patético com o espectador, prefiro ficar escondido por detrás de um material plástico que, em princípio, deve representar uma verdade mais vasta e clara que uma confusa psique de artista.»

Entrevista in Jornal Novo, 7 de Junho de 1978

«Os nossos conhecimentos físicos relativamente ao espaço em que vivemos sofreram nos últimos anos a mesma revolução que no século XIV e XV. A natureza deixou de ter os limites do humano para dizer respeito a um espaço muito mais vasto. A amplificação dos conhecimentos que o homem tem do espaço em que vive, com a teoria da relatividade e com a teoria dos quanta, foi uma revolução tão grande como a de Copérnico. Alterou o universo mental do homem. Eu sou extremamente sensível a essa mudança de espaço, mas não pretendo, evidentemente, na minha pintura fazer uma ilustração de “science fiction”.»

Entrevista in Expresso, 24 de Fevereiro de 1979.

«Eu ocupo-me de luz e não de objectos. O que me interessa na luz é dar forma ao que não tem forma. O objecto da pintura é invisível. E a luz é por excelência o invisível.»

Entrevista in Diário de Notícias ,2 de Agosto de 1979

Tudo o que digo, escrevo ou penso me parece tão verdadeiro como o seu contrário. Tudo é útil e inútil ao mesmo tempo. Daí a minha melancolia dialéctica, o meu estado irónico e desencantado. O meu espírito move-se por oposições e desde que me sinto instalado num sistema binário (pendular) salto para fora dele e fico como o vértice de um triângulo a olhar para os outros dois...»

Entrevista in Diário de Notícias ,2 de Agosto de 1979

O que me apaixona nas cidades é algo a que chamo “erotismo urbano”, como vitória última do homem sobre os elementos. Já não é a natureza que impõe as suas formas e o seu espaço ao homem mas, pelo contrário, o homem que impõe as suas capacidades de invenção e ficção ao espaço amorfo dos elementos. A cultura é o que dá forma à natureza. Uma cidade é mais do que um símbolo. É a linguagem das sociedades humanas, o testemunho de um modo de viver e morrer.

Entrevista in Diário de Notícias, 2 de Agosto de 1979

«Eu penso que, como dizia o Paul Klee, à pintura não cabe representar o visível mas tornar visível o que é invisível. Na minha pintura o que me interessa é construir uma teia de relações secretas entre os elementos do quadro, de fazer vibrar pontes até aí insuspeitas entre cores e formas.»

Jornal de Letras, 2 de Novembro de 1983.

«É preciso entender a abstracção não como a presença ou a ausência de objectos ou figuras reconhecidas, mas como um trabalho mental de reestruturação do espaço e das figuras ou objectos no espaço.»

Entrevista in Diário Popular, 22 de Março de 1986

«Não me quero pôr na perspectiva de um historiador do século próximo, mas tenho a certeza de que se vão rir imenso do que se passou neste século. É um século de enorme confusão, mas provavelmente não houve outro tão estimulante para um artista. Foi um caldo, uma confusão: movimentos opostos e ao mesmo tempo válidos. Não é só o fim do século, é desde o princípio. Acaba na mesma confusão em que começou.»

Entrevista in Público, 6 de Dezembro de 1992

 
 
 

2015 GALERIA FERNANDO SANTOS

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