Exposições

álvaro lapa - reunião (Lisboa)

Sobre esta exposição, de obras recentes inéditas, escreve José Gil no texto do livro editado pela Galeria Fernando Santos:

 “(…) Álvaro Lapa pergunta: como é possível criar uma pintura que encerra todos os signos do universo? Como é possível fabricar um campo sintáctico que acolha todo o tipo de imagens heterogéneas? Ou ainda: qual o procedimento a utilizar para que se realize a pintura, como arte total, quer dizer, capaz de inscrever todos os signos do mundo (e, por conseguinte, todo o sentido do mundo)?
Não é por acaso que dois dos quadros desta exposição se referem a Mallarmé. São referências ambíguas, ao mesmo tempo irónicas e necessárias: “Estante de Mallarmé” e “Caderno de Mallarmé”. Os dois títulos evocam, claro, o “Livro” com que Mallarmé queria abarcar poeticamente o universo inteiro: reduzido a um “caderno”, sobre fundo de estrelas, Lapa parece querer significar-nos a necessidade de uma “Imagem” ou um “Ícone” equivalente ao “Livro”, e o falhanço inevitável de toda a tentativa nessa direcção. A “Estante” teria o mesmo sentido: uma pequena estante combina-se com um dispositivo que tem uma janela (a de Alberti?) que dá para o mundo. Estes dois quadros condensariam a história da pintura moderna, a sua ambição última de dizer o cosmos sem sair de si, e o fim dessa ilusão. (…)”

 
 
 

2015 GALERIA FERNANDO SANTOS

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