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Bernardí Roig - Verblendungszusammenhang (concatenación del cegamiento) - MACUF - A Coruña

24 Fevereiro a 8 de Julho 2012
Comissário: Fernando Castro Flórez
       
Verblendungszusammenhang [concatenación del cegamiento] oferece uma revisitação ao trabalho de Bernardí Roig (Palma de Mallorca, 1965)
desde meados dos anos 90 até à actualidade. Grandes desenhos, figuras escultóricas, instalações que jogam com a noção do teatral e peças de vídeo pontuam um itinerário que, ao contrário de progredir cronológicamente, tende a estabelecer relações temáticas e procurar obsessões subjacentes. Trata-se, portanto, de algo mais que uma retrospectiva: uma indagação quase arqueológica do substrato essencial do imaginário de Roig, um dos autores mais intensos e internacionalmente reconhecidos da arte espanhola da actualidade.

O título escolhido, verdadeiramente impronunciável, é um termo que utiliza Theodor W. Adorno quando, na sua crítica da industria cultural, identifica a ilusão e o engano como elementos vertebradores da consciência colectiva na sociedade capitalista. De facto, a cegueira é um dos motivos recorrentes na obra de Roig. E a sua busca de uma certa “perspicácia” através da obscuridade não responde mais que ao desejo de encontrar algo que não seja a mentira corroída. Citamos seguidamente diversas passagens de um texto escrito para a ocasião pelo comissário desta mostra, o crítico de arte e professor universitário Fernando Castro Flórez (Plasencia, 1964):
       
“Defino-me, diz Bernardí Roig, como pintor. A ideia da pintura engloba tudo. Antes pintava. Agora, desde a pintura, utilizo registos e suportes que têm que ver com ela, porque não tem que ser só suporte plano; seduz-me o seu sentido de ‘olhar’ e interessa-me para construir uma imagem, não necessáriamente pintando-a”. Com as suas impactantes instalações, com essas inquietantes esculturas cegas ou com fogo no olhar, com os desenhos minuciosos e, depois, destruídos por um traço, com os vídeos asfixiantes e a revisão perversa da iconografía do excesso, o que faz este artista é deixar-se levar pela turbulência das obsessões.
             
Em boa medida pode entender-se as suas obras como dispositivos de saudade, como manifestações da pulsão rarefeita do que está só. Desde o homem com fogo nos olhos, como uma razão poética que aludia ao fracasso, chegou a luz que impedia de ver. A metáfora do olhar ígneo deu espaço à brancura obsessiva. E, como fundo, sempre a compreensão lúcida da pintura como derrota. Bernardí Roig cancela a memória, ainda que lhe doa, para revelar a impossibilidade de construir um olhar: “Estou de acordo com Klossowski quando diz que um quadro é uma máquina que produz vitimas, não uma coisa que se pendura numa sala”. Do que não se pode prescindir, ainda que se tenha uma enorme desconfiança na representação, é da morte. Também está presente nas suas obras a urgência de “falar da impossibilidade da fala”, tratando de encontrar figuras e imagens para um tempo de loucura. 

 
 
 

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